Estranhas formações de “recife de coral” em Marte revelam pistas sobre o clima do planeta

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Imagem da NASA mostra depósitos em camadas na Arabia Terra que podem preservar bilhões de anos da história ambiental do Planeta Vermelho. Marte voltou a surpreender os cientistas com uma paisagem que parece saída de um mundo alienígena de ficção científica. Uma nova imagem divulgada como a “foto espacial do dia” de 28 de setembro de 2026 mostra estruturas incomuns na região de Arabia Terra, no Planeta Vermelho.

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Com aparência que lembra um enorme recife de coral, as formações são, na realidade, depósitos geológicos em camadas que podem ajudar os pesquisadores a reconstruir a evolução do clima marciano.

A fotografia foi obtida pela câmera HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment), instalada a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da NASA. O equipamento é capaz de registrar a superfície marciana em altíssima resolução, permitindo observar detalhes que seriam praticamente impossíveis de identificar em imagens convencionais.

Uma paisagem que parece um recife alienígena

Na imagem, os depósitos mais claros aparecem formando padrões ondulados e sobrepostos, enquanto áreas mais escuras ocupam partes da paisagem. A aparência irregular das estruturas lembra formações biológicas encontradas na Terra, mas não há indicação de que sejam recifes ou que tenham origem biológica.

Segundo Cathy Weitz, co-investigadora da equipe da HiRISE, a natureza rítmica das camadas e sua ampla distribuição pela Arabia Terra podem estar relacionadas a processos globais e cíclicos que ocorreram em Marte. Entre as possibilidades consideradas estão tempestades de poeira recorrentes e processos envolvendo águas subterrâneas.

Esse ponto é fundamental: os depósitos não são apenas uma curiosidade visual. Sua distribuição e estrutura podem funcionar como um registro geológico de mudanças que ocorreram durante diferentes períodos da história marciana.

Como as estruturas ganharam essa aparência?

As formações atualmente observadas não permaneceram intactas ao longo do tempo. Elas vêm sendo modificadas pela erosão, que esculpiu os depósitos e produziu bordas serrilhadas, cavidades e padrões semelhantes a pequenas cristas.

Além disso, materiais transportados pelo vento, conhecidos como depósitos eólicos, mais recentemente cobriram e preencheram algumas regiões das estruturas. Isso significa que a paisagem atual resulta da combinação de processos que ocorreram em diferentes épocas.

Para os cientistas, justamente essa sobreposição de processos é valiosa. Ao estudar quais camadas aparecem primeiro e quais estruturas cortam ou cobrem as anteriores, é possível reconstruir uma sequência aproximada de eventos geológicos.

Arabia Terra guarda um passado extremamente antigo

A Arabia Terra é uma das regiões mais antigas e geologicamente interessantes de Marte. Sua superfície preserva crateras, depósitos sedimentares e outras estruturas que remontam a períodos muito antigos da história do planeta.

Ao contrário da Terra, onde a tectônica de placas e a erosão intensa modificam continuamente a superfície, Marte preservou grandes áreas de sua antiga paisagem. Isso transforma o planeta em uma espécie de arquivo geológico natural.

As imagens obtidas em órbita permitem aos pesquisadores investigar esse arquivo sem precisar pousar em cada uma das regiões estudadas.

O que isso revela sobre o antigo clima marciano?

A grande questão é descobrir como e por que esses depósitos se formaram em uma área tão extensa.

A possibilidade de processos relacionados à água subterrânea é especialmente interessante porque Marte possui inúmeras evidências de que teve água líquida em sua superfície no passado. Rios, antigos lagos, deltas e minerais alterados pela água já foram identificados por diferentes missões.

A nova imagem, porém, não significa que os cientistas tenham encontrado evidência direta de um antigo oceano ou de vida. A relação entre essas formações e a água subterrânea ainda é uma hipótese científica que precisa ser investigada.

O que a imagem demonstra de maneira mais segura é que os depósitos registram uma história ambiental complexa, envolvendo deposição, erosão e transporte de materiais ao longo de enormes períodos.

Marte continua revelando seu passado

A descoberta ganha ainda mais importância quando colocada ao lado de outras pesquisas recentes. O rover Perseverance, por exemplo, encontrou evidências de diferentes episódios de interação entre água e rochas na região Margin Unit, dentro da cratera Jezero. Os dados apontam para processos envolvendo águas subterrâneas, água superficial e até circulação de água quente.

Essas descobertas ajudam a construir uma imagem cada vez mais complexa do passado de Marte. O planeta atualmente é frio, seco e possui uma atmosfera muito fina, mas sua superfície mostra que seu ambiente já foi significativamente diferente.

As estranhas estruturas de Arabia Terra acrescentam mais uma peça a esse quebra-cabeça.

No futuro, análises adicionais das imagens, mapas geológicos e dados espectrais poderão ajudar a determinar exatamente quais minerais compõem essas camadas e quais processos foram responsáveis por sua formação.

Por enquanto, a imagem da HiRISE oferece algo raro: uma paisagem marciana visualmente impressionante que, ao mesmo tempo, funciona como uma janela para bilhões de anos de mudanças climáticas e geológicas no Planeta Vermelho.

E talvez essa seja a parte mais fascinante: aquilo que parece um gigantesco recife de coral alienígena não é vida fossilizada, mas uma formação rochosa que pode contar uma história sobre um Marte muito diferente daquele que conhecemos hoje.

Detalhes confirmados: as formações estão na Arabia Terra, foram registradas pela câmera HiRISE da Mars Reconnaissance Orbiter e apresentam camadas rítmicas, erosão, cavidades e bordas serrilhadas. Pesquisadores consideram que processos globais e cíclicos, possivelmente envolvendo tempestades de poeira e águas subterrâneas, podem ter contribuído para sua formação. A hipótese ainda está sendo investigada e não há confirmação de origem biológica.