James Webb revela uma verdadeira “caldeira de criação cósmica” em nova imagem impressionante

James Webb Space Telescope spots a 'cauldron of cosmic creation' | Space photo of the day for Oct. 7, 2026

O Telescópio Espacial James Webb (JWST) voltou a impressionar os fãs de astronomia com uma imagem que parece saída diretamente de um filme de ficção científica. Divulgada em outubro de 2026, a fotografia revela detalhes extraordinários da NGC 7129, uma nebulosa localizada a aproximadamente 3.300 anos-luz da Terra, onde estrelas estão nascendo em meio a enormes concentrações de gás e poeira. A própria NASA descreveu a região como uma verdadeira “caldeira de criação cósmica”.

A comparison image showing Spitzer vs JWST's images of NGC 7129.

A imagem foi registrada pelo instrumento NIRCam, especializado em observações no infravermelho próximo. Essa capacidade é fundamental porque permite ao Webb enxergar através de parte da poeira que bloqueia a visão de telescópios que trabalham principalmente com luz visível. O resultado é uma visão muito mais detalhada das estrelas jovens escondidas no interior da nebulosa.

Uma maternidade de estrelas em pleno caos

A NGC 7129 é conhecida como uma região de formação estelar. No interior dela existem estrelas em diferentes fases de desenvolvimento, incluindo protostrelas, objetos extremamente jovens que ainda estão acumulando material para completar sua formação.

A yellow and orange gaseous star forming region against the black of space filled with stars.

Segundo a ESA, o agrupamento contém numerosas estrelas com menos de 1 milhão de anos, uma idade extremamente pequena quando comparada à escala de vida de estrelas como o Sol. Algumas dessas estrelas ainda estão profundamente envolvidas por material interestelar.

Um dos destaques da fotografia é a estrela LkHα 234, localizada próxima ao centro da composição. Ela possui aproximadamente 5 a 8 vezes a massa do Sol e ainda está na chamada fase pré-sequência principal. Conforme continua se contraindo sob a ação da gravidade, sua temperatura aumenta até que, futuramente, possa iniciar a fusão do hidrogênio em seu núcleo.

Jatos estelares esculpem a nebulosa

O espetáculo visual não acontece apenas porque existem estrelas nascendo. Esses objetos jovens também estão modificando violentamente o ambiente ao redor.

Protostrelas podem liberar fluxos de material extremamente quente e veloz. Quando esses jatos encontram o gás e a poeira circundantes, provocam ondas de choque que produzem estruturas brilhantes e complexas. Na imagem do Webb, essas interações ajudam a criar regiões avermelhadas e texturas que dão à nebulosa uma aparência quase flamejante.

A estrela central também influencia uma enorme cavidade de aproximadamente 3,5 anos-luz. Fluxos de material provenientes de uma fase anterior da evolução estelar ajudaram a abrir essa região na nuvem molecular. Ao mesmo tempo, a radiação e os ventos das estrelas comprimem partes do gás, podendo contribuir para o nascimento de novas estrelas.

Webb enxerga detalhes que estavam escondidos

A NGC 7129 já havia sido observada pelo Spitzer, telescópio espacial da NASA que foi aposentado. Entretanto, a resolução do James Webb permite identificar estruturas muito mais delicadas nos filamentos de gás e poeira, além de revelar diversas galáxias ao fundo da imagem.

Outro detalhe curioso aparece em uma região azulada da nebulosa. Ali existe uma protostrela cercada por um disco de material em formato semelhante a um donut. Esse disco bloqueia parte da luz e projeta uma sombra sobre a nebulosa, lembrando uma estrutura conhecida como “Bat Shadow”, observada anteriormente pelo Telescópio Espacial Hubble.

Mais do que uma imagem espetacular, portanto, a nova fotografia da NGC 7129 representa uma oportunidade científica para compreender como estrelas nascem, como seus ventos e jatos transformam o ambiente e como essas alterações podem influenciar futuras gerações de estrelas. O James Webb continua, assim, transformando regiões aparentemente caóticas do espaço em verdadeiros laboratórios para estudar a origem das estrelas e a evolução do cosmos.