Astrônomos revelam os segredos da supernova “Colar de Pérolas” e da estrela zumbi em seu centro

supernova

Uma explosão estelar observada há aproximadamente 850 anos continua surpreendendo a comunidade científica. Astrônomos conseguiram investigar com mais detalhes os filamentos de gás e os aglomerados brilhantes que formam uma estrutura conhecida como “Colar de Pérolas”, localizada nos restos da supernova Pa 30. No centro desse remanescente cósmico encontra-se um objeto ainda mais intrigante: uma estrela sobrevivente de uma explosão que, em circunstâncias normais, poderia ter destruído completamente sua estrela original.

Os resultados, divulgados em 27 de outubro de 2026 pela revista Space.com, ajudam a esclarecer como esse sistema incomum se formou e por que a estrela sobrevivente permanece praticamente no centro dos destroços. As observações foram realizadas com o telescópio Gemini North, permitindo examinar estruturas que oferecem pistas importantes sobre a física das explosões estelares.

O fenômeno parece saído de um filme de ficção científica. Uma estrela explode, lança matéria pelo espaço e deixa para trás uma estrutura que lembra um colar cósmico. No centro, uma espécie de “estrela zumbi” continua existindo apesar da violência do evento que a originou.

Entretanto, por trás dessa imagem impressionante, existe uma oportunidade científica rara: compreender melhor as explosões termonucleares que nem sempre destroem completamente suas estrelas.

Pa 30: o remanescente de uma explosão registrada na Idade Média

A estrutura Pa 30 está localizada a aproximadamente 7.500 anos-luz da Terra. Embora tenha sido identificada em observações modernas em 2013, os pesquisadores conseguiram relacioná-la a uma explosão estelar registrada por observadores do céu no ano de 1181.

Relatos históricos independentes, produzidos na China, no Japão e no mundo árabe, documentaram o aparecimento de um objeto brilhante no céu daquela época. A descoberta da relação entre esses registros e Pa 30 transformou o objeto em uma importante ligação entre a astronomia histórica e a pesquisa moderna.

A proximidade relativa do remanescente também favorece sua investigação. Em escalas astronômicas, 7.500 anos-luz é uma distância que permite observar detalhes importantes da estrutura, especialmente com instrumentos modernos.

Ao estudar o material expelido pela explosão, os cientistas procuram reconstruir os acontecimentos que produziram sua forma peculiar. Cada filamento e cada concentração de matéria podem ajudar a revelar como a energia da explosão se propagou e como os destroços evoluíram ao longo dos séculos.

O que é a misteriosa “estrela zumbi”?

O termo “estrela zumbi” não significa que os astrônomos tenham encontrado uma estrela literalmente ressuscitada. Trata-se de uma expressão usada para descrever um remanescente estelar que sobreviveu parcialmente a uma explosão que deveria destruí-lo.

Pa 30 está associada a uma classe rara de eventos conhecida como supernovas do tipo Iax. Em um cenário desse tipo, uma anã branca — o núcleo extremamente denso que resta após a evolução de determinadas estrelas — sofre uma explosão termonuclear, mas não é completamente destruída.

O processo pode deixar para trás um objeto muito quente, alterado e cercado por material expelido violentamente. É justamente essa sobrevivência parcial que torna o sistema tão valioso para a astronomia.

As supernovas do tipo Ia convencionais são conhecidas por sua capacidade de destruir a anã branca que as origina. Já as explosões do tipo Iax podem produzir um resultado diferente, permitindo que parte do objeto sobreviva. Pa 30 oferece uma oportunidade excepcional de investigar esse processo em detalhes.

A principal questão é entender quais condições permitem que uma estrela sobreviva a uma explosão tão energética. Ao analisar o remanescente, os pesquisadores podem testar modelos teóricos e compreender melhor a diversidade dos fenômenos que encerram a evolução de estrelas.

Por que os destroços parecem um colar de pérolas ao redor da supernova?

Uma das descobertas mais impressionantes das novas observações foi a presença de aglomerados de matéria distribuídos ao longo de filamentos que se espalham a partir da região central da supernova. Quando observados em conjunto, esses aglomerados lembram pérolas alinhadas em fios.

O tamanho dessas estruturas é extraordinário. Segundo a equipe científica, cada aglomerado tem dimensões suficientes para comportar a região planetária do Sistema Solar cerca de dez vezes, considerando a extensão da órbita de Netuno.

A uniformidade dos aglomerados também desperta interesse. Os pesquisadores pretendem compreender os mecanismos físicos responsáveis pela formação dessas estruturas e descobrir como o material ejetado durante a explosão adquiriu essa configuração.

A aparência de Pa 30 demonstra que uma supernova não produz apenas uma nuvem desorganizada de detritos. A interação entre o material expelido, a energia liberada e as condições existentes ao redor da estrela pode criar padrões complexos, que permanecem observáveis centenas de anos depois.

A estrela sobrevivente permanece no centro dos destroços

Outro resultado importante é a posição da estrela zumbi. As observações indicam que ela permanece praticamente no centro do remanescente Pa 30, em vez de apresentar um deslocamento significativo em relação aos destroços.

Essa característica fornece pistas sobre a simetria da explosão. Quando uma estrela explode de maneira desigual, o material pode ser lançado preferencialmente em determinadas direções, transferindo impulso ao objeto sobrevivente e provocando seu deslocamento.

No caso de Pa 30, a pequena velocidade transversal estimada para a estrela sobrevivente sugere que o impulso recebido foi relativamente reduzido. Isso é compatível com uma explosão aproximadamente simétrica, embora não prove que o evento tenha sido perfeitamente uniforme.

O que essa descoberta significa para o futuro da astronomia?

O estudo de Pa 30 pode ajudar os pesquisadores a identificar outros remanescentes de supernovas do tipo Iax na Via Láctea e em galáxias próximas. Até agora, a estrutura oferece uma oportunidade excepcional para investigar diretamente uma classe de explosões cujos vestígios são difíceis de observar em detalhes.

Ao combinar observações modernas com registros históricos, os astrônomos conseguem reconstruir acontecimentos que ocorreram muito antes da invenção dos telescópios.

Em resumo, a supernova Pa 30 é muito mais do que um espetáculo visual no espaço: ela representa uma oportunidade rara de entender como algumas estrelas conseguem sobreviver parcialmente à própria destruição. A investigação de sua estrutura e de sua estrela zumbi poderá ajudar a revelar novos detalhes sobre a morte estelar e os processos físicos que moldam o Universo.

Fonte principal: Space.com