Aurora Boreal está de volta: piloto registra espetáculo impressionante a 37 mil pés de altitude

Aurora Boreal

Imagens captadas durante um voo entre o Canadá e o Reino Unido revelam cortinas verdes, vermelhas e magentas, da Aurora Boreal sobre as nuvens. A temporada das auroras boreais voltou a dar um verdadeiro espetáculo no céu do hemisfério norte. No dia 22 de setembro de 2026, o piloto e fotógrafo Matt Melnyk conseguiu registrar uma impressionante exibição das luzes do norte enquanto pilotava um Boeing 787 Dreamliner a aproximadamente 37 mil pés de altitude, ou cerca de 11 quilômetros acima da superfície.

O voo partia de Calgary, no Canadá, com destino a Londres, no Reino Unido. Durante a passagem sobre o norte de Manitoba e a Baía de Hudson, Melnyk testemunhou uma aurora que permaneceu visível por aproximadamente três horas.

Um espetáculo visto de uma perspectiva privilegiada

Aurora Boreal

Do alto, a experiência proporcionada pela aurora foi ainda mais impressionante. Sem as nuvens bloqueando a visão e com pouca interferência da poluição luminosa das cidades, as estruturas luminosas podiam ser observadas contra um céu repleto de estrelas.

As fotografias mostram enormes faixas e cortinas de luz verde atravessando o céu, acompanhadas por tons avermelhados e magenta em regiões mais altas da aurora.

Melnyk já é conhecido por fotografar auroras durante seus voos internacionais. Ele também havia registrado o fenômeno em 14 de setembro, durante outra viagem sobre Manitoba e a Baía de Hudson. Depois de meses em que as noites claras do verão dificultaram a observação das luzes durante suas rotas transatlânticas, o retorno das auroras foi especialmente marcante.

Por que as auroras estão voltando com força?

O momento não é coincidência. O Sol está atualmente na fase de declínio de seu ciclo solar de aproximadamente 11 anos, depois de ter passado pelo período de máximo solar.

Embora a atividade solar esteja diminuindo em relação ao pico, essa fase pode continuar produzindo episódios importantes de atividade geomagnética. Segundo especialistas citados pela Space.com, os anos posteriores ao máximo solar podem ser particularmente interessantes para quem acompanha auroras.

Além disso, setembro possui outro fator favorável: a proximidade do equinócio.

O equinócio pode ajudar a intensificar as luzes

Durante os períodos próximos aos equinócios de março e setembro, determinadas condições na geometria do campo magnético terrestre podem facilitar a interação entre o vento solar e a magnetosfera.

Esse fenômeno está relacionado ao chamado efeito Russell-McPherron, que pode favorecer a entrada de energia do vento solar no ambiente magnético da Terra.

Quando partículas energéticas provenientes do Sol interagem com gases da atmosfera terrestre, ocorre a emissão de luz que produz as famosas auroras. Diferentes gases e altitudes contribuem para as variadas cores observadas no céu.

A fotografia também impressiona pela tecnologia

Para registrar o fenômeno de dentro do avião, Melnyk utilizou uma Canon EOS R6 Mark II equipada com uma lente Canon RF 14mm F1.4 L VCM. A combinação permitiu capturar uma área extremamente ampla do céu, algo importante para fotografar estruturas tão extensas.

O resultado é praticamente uma janela para o espaço: abaixo estão as nuvens e a superfície terrestre, enquanto acima delas aparecem estrelas e enormes estruturas luminosas produzidas pela interação entre o Sol e a Terra.

Uma temporada promissora para os caçadores de auroras

O registro de setembro pode ser apenas o começo de uma temporada interessante para os chamados aurora chasers. Com noites mais longas no hemisfério norte, a atividade solar ainda capaz de provocar tempestades geomagnéticas e a influência do período do equinócio, as condições podem continuar favorecendo novas aparições.

Para quem acompanha astronomia, o fenômeno também funciona como um lembrete de que a atividade do Sol está diretamente conectada ao que acontece no céu terrestre.

E, para Matt Melnyk, poucas experiências podem superar observar as luzes do norte a 37 mil pés de altitude. Desta vez, o piloto não apenas encontrou um dos melhores lugares possíveis para assistir ao espetáculo, como também conseguiu transformar aquela viagem entre continentes em um registro extraordinário da interação entre o Sol e nosso planeta.

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