
Em 29 de outubro de 1991, a NASA protagonizou um dos momentos mais importantes da história da exploração espacial. Naquela data, a sonda Galileo realizou um encontro histórico com o asteroide 951 Gaspra, tornando-se a primeira espaçonave a observar de perto um asteroide durante uma passagem espacial. Viajando a aproximadamente 18 mil milhas por hora (cerca de 29 mil km/h), a missão conseguiu registrar imagens impressionantes de um pequeno corpo rochoso localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.

O acontecimento representou um avanço significativo para a astronomia, pois permitiu que cientistas analisassem diretamente características de um asteroide que, até então, eram difíceis de investigar apenas com observações feitas a partir da Terra.
Mesmo décadas depois, os registros produzidos pela Galileo continuam sendo importantes para compreender a formação, a composição e a evolução dos pequenos corpos que orbitam o Sol.
Galileo fez história ao se aproximar do asteroide Gaspra
Lançada em 18 de outubro de 1989, a sonda Galileo tinha como principal objetivo estudar Júpiter e suas luas. Entretanto, durante sua longa viagem em direção ao maior planeta do Sistema Solar, a espaçonave também recebeu a oportunidade de investigar objetos localizados no cinturão de asteroides.
O encontro com Gaspra aconteceu em 29 de outubro de 1991. Na ocasião, a sonda passou a aproximadamente 1.601 quilômetros do centro do asteroide, mantendo uma velocidade relativa de aproximadamente 8 quilômetros por segundo.
Durante a aproximação, os instrumentos científicos da Galileo capturaram fotografias que revelaram detalhes inéditos da superfície rochosa.
As imagens mostraram que Gaspra possui formato irregular e alongado, além de apresentar numerosas crateras e uma camada superficial de poeira e fragmentos rochosos.
Segundo dados da NASA, o asteroide apresenta dimensões aproximadas de 20 quilômetros de comprimento, 12 quilômetros de largura e 11 quilômetros de altura.
Imagens revelaram um asteroide cheio de crateras
Um dos aspectos mais interessantes da passagem da Galileo foi a quantidade de informações visuais obtidas durante o encontro.
As fotografias permitiram identificar centenas de crateras na superfície de Gaspra, algumas com dimensões consideráveis. Os registros também ajudaram os pesquisadores a compreender que o objeto provavelmente passou por colisões violentas ao longo de sua história.
A estrutura irregular do asteroide sugere que ele pode ser um fragmento resultante da fragmentação de um corpo rochoso maior.
Outro detalhe importante é que Gaspra apresenta uma rotação relativamente rápida, completando uma volta em aproximadamente sete horas.
A Galileo também utilizou instrumentos científicos para investigar propriedades físicas e químicas do objeto, ampliando o conhecimento sobre sua composição.
As imagens mais detalhadas foram obtidas quando a espaçonave ainda estava a aproximadamente 5.300 quilômetros do asteroide, cerca de dez minutos antes da aproximação máxima.
A missão Galileo também encontrou outro asteroide histórico
O encontro com Gaspra não foi a única contribuição da sonda para o estudo desses pequenos corpos celestes.
Em 28 de agosto de 1993, a Galileo realizou uma segunda passagem histórica, dessa vez pelo asteroide 243 Ida.
Durante essa observação, os cientistas identificaram algo surpreendente: Ida possuía uma pequena lua natural, posteriormente chamada Dactyl.
A descoberta foi extremamente importante porque forneceu a primeira confirmação de um satélite natural orbitando um asteroide.
Dactyl possui aproximadamente 1,5 quilômetro de diâmetro e ajudou os pesquisadores a estimar a densidade de Ida por meio do estudo de sua órbita.
Esses dois encontros demonstraram que asteroides poderiam apresentar características muito mais complexas do que se imaginava anteriormente.
Galileo enfrentou problemas técnicos durante sua jornada
Apesar dos resultados científicos extraordinários, a missão também enfrentou dificuldades importantes.
Um dos principais problemas aconteceu quando a antena de alto ganho da espaçonave não conseguiu ser totalmente aberta. O equipamento deveria facilitar a transmissão de grandes quantidades de dados para a Terra.
Como consequência, a equipe da NASA precisou desenvolver estratégias alternativas para receber as informações utilizando as antenas de menor ganho.
A transmissão dos dados foi mais lenta do que o planejado, mas isso não impediu que os pesquisadores recuperassem informações fundamentais sobre Gaspra.
Posteriormente, a Galileo continuou sua trajetória e chegou ao sistema de Júpiter em dezembro de 1995, iniciando uma das etapas mais importantes de sua missão.
A espaçonave estudou o planeta gigante e suas luas durante anos, contribuindo para descobertas sobre Europa, Ganimedes, Calisto e Io.
O legado da descoberta continua influenciando a exploração espacial
O sobrevoo de Gaspra em 1991 abriu caminho para uma nova geração de missões destinadas a investigar asteroides.
Décadas depois, outras espaçonaves conseguiram realizar operações ainda mais complexas, incluindo aproximações, pousos, coleta de amostras e até impactos controlados.
Entre os exemplos estão a missão japonesa Hayabusa, a Hayabusa2 e a missão OSIRIS-REx, da NASA, responsável por coletar material do asteroide Bennu e transportá-lo de volta à Terra.
Outra iniciativa importante foi a missão DART, que atingiu deliberadamente o pequeno asteroide Dimorphos em 2022 para testar uma estratégia de alteração orbital. O experimento demonstrou que uma espaçonave poderia modificar a trajetória de um objeto espacial por meio de um impacto planejado.
Essas iniciativas mostram como a exploração iniciada por missões pioneiras, como a Galileo, contribuiu para transformar a compreensão científica dos asteroides.
Em 29 de outubro de 2026, o encontro histórico com Gaspra completa 35 anos. Mais do que fotografias impressionantes, a passagem da Galileo representou o início de uma nova etapa na exploração direta desses corpos celestes.
O pequeno asteroide revelou informações valiosas sobre colisões antigas, estruturas rochosas e a evolução do Sistema Solar. E, mesmo depois de tanto tempo, os dados coletados pela sonda continuam fazendo parte do legado científico de uma das missões mais importantes da NASA.







