Por que Wanda e Visão nunca mais deveriam reatar no MCU — e a Marvel já deixou isso bem claro

Poucas histórias de amor no Universo Cinematográfico da Marvel atingiram o peso dramático de Wanda Maximoff e Visão. Do romance silencioso nos corredores dos Vingadores até o colapso trágico de Westview em WandaVision, a dinâmica entre a Feiticeira Escarlate e o sintozoide cativou o público como poucas tramas conseguiram. Mas, sejamos honestos: por mais tentador que seja para os fãs sonharem com um final feliz onde a família finalmente se reúne para sempre, insistir nesse reencontro romântico seria o maior erro da Marvel Studios.

A chegada de produções derivadas como Agatha Desde Sempre e VisionQuest reascendeu a chama da teoria coletiva. Afinal, Billy e Tommy estão vivos em novos corpos, Visão está de volta e Wanda, apesar do desfecho nebuloso de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, paira como uma presença iminente. No entanto, juntar novamente esse casal ignoraria por completo a evolução dolorosa — e necessária — de ambos.

Paul Bettany como Visão em VisionQuest
Paul Bettany retorna como a versão reconstruída do Visão (Foto: Marvel Studios)

O novo Visão não é o homem que se apaixonou por Wanda

O Visão que vemos agora, originado do modelo branco reconstruído pela S.W.O.R.D., carrega uma crise de identidade complexa. Em WandaVision, o Visão criado pela magia de Wanda desbloqueou as memórias do androide original através de pura lógica. Mas memória não é sentimento. Embora ele retenha o histórico dos eventos até Vingadores: Guerra Infinita e as memórias da vida suburbana em Westview, ele não vivenciou aquele amor como sujeito emocional ativo.

O trabalho de Paul Bettany em VisionQuest comprova isso. Ele demonstra afeto, humanidade e até empatia ao interagir com inteligências artificiais e com seus novos laços familiares, mas a postura muda drasticamente quando o assunto é Wanda. Ele reconhece a dor dela, mas enxerga os acontecimentos de Westview sob uma ótica quase desapaixonada, condenando a tortura imposta aos cidadãos da cidade. Forçar um retorno desse Visão aos braços da Feiticeira Escarlate anularia sua busca para se tornar um indivíduo autônomo, transformando sua jornada em mera repetição de padrões passados.

Wanda aceitou a morte de seu verdadeiro amor

Por outro lado, o arco da própria Feiticeira Escarlate sempre foi marcado pelo luto — e pela superação dele. Toda a tragédia da minissérie de 2021 girava em torno de Wanda admitir que o Visão que ela conhecia e amava já não pertencia a este plano físico. Aquela famosa frase na despedida do Hex, prevendo um reencontro em algum lugar além, sempre carregou um tom muito mais espiritual do que uma promessa de reaproximação terrena.

Não é por acaso que, mesmo sob a influência destrutiva do Darkhold em Multiverso da Loucura, a obsessão de Wanda estava concentrada única e exclusivamente em resgatar versões de seus filhos. O Visão é lembrado e reverenciado, mas em momento algum ela tenta trazê-lo de volta ou caçar a versão reconstruída pela S.W.O.R.D. Ela sabia que aquele ciclo romântico havia acabado. Tratar grandes figuras de quadrinhos de forma complexa exige coragem narrativa, algo perceptível quando vemos como Scarlett Johansson comentou a intensidade e as crises existenciais que envolvem assumir personagens densos em grandes universos cinematográficos.

Wanda e Visão em momento romântico de WandaVision

O futuro precisa de novos caminhos

Se e quando Wanda Maximoff retornar à linha principal do MCU, o reencontro com essa encarnação do Visão será inevitável e certamente carregado de tensão dramática. Contudo, transformá-los novamente em um casal romântico enfraqueceria as melhores decisões criativas que a Marvel tomou nos últimos anos.

Eles podem partilhar a guarda simbólica de Billy e Tommy, oferecer perdão mútuo e até construir uma profunda amizade fundamentada no respeito. Mas o amor arrebatador que moldou Westview cumpriu o seu papel. Permitir que ambos sigam caminhos independentes é a maior homenagem que o estúdio pode prestar a um dos romances mais marcantes do cinema moderno de super-heróis.

Fonte: Comicbook