Por que insistir no romance entre Wanda e Visão pode arruinar o futuro do MCU

Existe uma dor quase poética na trajetória de Wanda Maximoff e Visão dentro do Universo Cinematográfico da Marvel. Quando WandaVision estreou em 2021, Matt Shakman construiu algo raro em meio a explosões de computação gráfica: um estudo visceral sobre o luto fantasiado de sitcom. Ali, o casal encontrou um ápice trágico e inesquecível. Justamente por isso, a obsessão de parte dos fãs em querer juntar essas duas pontas soltas novamente precisa parar.

Com os eventos recentes reverberando nas produções do Disney+, a dinâmica familiar dos Maximoff tomou novos rumos. Os gêmeos Billy e Tommy reapareceram crescidos, encarnados por Joe Locke e Ruaridh Mollica em Agatha Desde Sempre e VisionQuest. Mas a reunião daquela família perfeita do subúrbio de Westview não apenas soaria forçada hoje: ela trairia tudo o que os próprios personagens construíram.

Paul Bettany as Vision in VisionQuest
Image Courtesy of Marvel

O Visão Branco não é o marido de Westview

O sintozoide reconstruído pela S.W.O.R.D. carrega os registros e dados do Visão original morto em Vingadores: Guerra Infinita, além das memórias transferidas na biblioteca mental de Westview. Mas memória não é alma. Por mais que Paul Bettany continue entregando camadas emocionais impressionantes, as atitudes desse novo Visão deixam um abismo evidente: ele não sente o mesmo calor por Wanda.

Quando o Visão Branco reflete sobre o passado, suas análises trazem um distanciamento cirúrgico, focando no sofrimento imposto aos moradores da cidadezinha da Nova Jersey. O ressentimento e o pragmatismo substituem o antigo carinho incondicional. Transformar essa figura em um par romântico convencional anularia a jornada de um ser artificial que precisa, acima de tudo, descobrir quem ele é longe da sombra do relacionamento anterior.

A Feiticeira Escarlate já se despediu

Do outro lado dessa moeda trágica está Wanda. Em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, a personagem cruzou linhas morais tenebrosas ao ser consumida pelo Darkhold, mas um detalhe fundamental passou despercebido por muitos espectadores: em nenhum momento de sua fúria ensandecida ela tentou ressuscitar ou buscar um novo Visão. Seu desespero era unicamente pelos filhos.

Wanda compreendeu, com requintes de crueldade, que o Visão que ela amava descansou para sempre no momento em que a barreira mágica de Westview desmoronou. As transições de papéis no cinema de super-heróis mexem com o público — vide o alvoroço quando grandes estrelas mudam de ares, como quando vimos discussões sobre Scarlett Johansson vivendo dilemas sobre novos papéis após sua passagem pelo estúdio —, mas a consistência narrativa precisa pesar mais do que a nostalgia.

Se Elizabeth Olsen retornar para vestir o manto escarlate novamente, um reencontro com essa versão mecânica de Paul Bettany é inevitável e renderá um conflito dramático de alto nível. No entanto, qualquer tentativa de reacender a chama antiga soará como retrocesso criativo. Algumas histórias de amor no cinema só continuam marcantes exatamente porque terminaram quando deveriam terminar.

Fonte: Comicbook