O Cybertruck das eleições: Elon Musk torra US$ 500 milhões nas urnas e amarga derrota histórica

Se dinheiro garantisse voto nas urnas, Elon Musk estaria comemorando mais uma rodada vitoriosa. Não foi bem o que aconteceu. O que se desenhou após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos foi uma espécie de versão política do vidro blindado do Cybertruck: rachou bonito na frente de todo mundo.

Elon Musk vestindo queijo na cabeça.

O dono da Tesla, da SpaceX e da rede social X abriu a carteira sem pudor. Foram quase US$ 500 milhões despejados para tentar eleger uma legião de candidatos do Partido Republicano. O valor o transformou, de longe, no maior doador individual deste ciclo eleitoral — superando em mais de três vezes os segundos colocados na lista de magnatas da política americana.

O retorno desse investimento massivo? Um fiasco generalizado que já começou a render piadas do próprio bilionário no X.

O maior choque ocorreu justamente no novo quintal de Musk: o Texas. Ele injetou cerca de US$ 225 milhões nas disputas do estado e viu o eleitorado texano dar uma resposta contundente. O governo estadual e uma cadeira cobiçada no Senado viraram azuis com margens expressivas, acompanhados por derrotas republicanas em diversas cadeiras legislativas locais.

Talvez Musk prefira continuar olhando para as estrelas — assim como quando a sonda Galileo sobrevoava o asteroide Gaspra para desbravar o desconhecido —, porque aqui no solo as coisas andam desordenadas para as suas ambições políticas.

O estrago não ficou restrito ao Texas. Das 106 corridas para o Congresso em que Musk apostou suas fichas e verbas de Super PACs, apenas 18 nomes apoiados por ele venceram até o momento — quase todos em redutos ultra-seguros onde a vitória republicana já era dada como certa. Outras 45 disputas terminaram em derrota direta, com dezenas de apurações restantes pendendo para candidatos democratas em estados como Kansas, Michigan e Minnesota.

A intensidade de Musk na campanha foi frenética, com alertas quase diários sobre o “fim da civilização” caso seus favoritos perdessem. O tom alarmista não convenceu o eleitorado moderado. Ainda assim, com uma fortuna estimada próxima da marca de um trilhão de dólares, o prejuízo atinge muito mais o ego do executivo do que suas contas bancárias.

Fonte: Engadget