Revolta contra a nuvem: Eleitores nos EUA aprovam onda de restrições contra data centers de inteligência artificial

A lawn sign reads "No data center."Here Now/Shutterstock

O apetite voraz do Vale do Silício por energia e terrenos colidiu de frente com a paciência da população norte-americana. Nas urnas, os eleitores enviaram um recado inequívoco: o avanço desenfreado dos data centers não é mais bem-vindo nos quintais das cidades.

Em pleitos locais espalhados por dez estados, 45 medidas eleitorais colocaram o futuro dessas instalações em votação direta. O resultado foi acachapante: nada menos que 33 propostas voltadas a limitar ou barrar os complexos foram aprovadas de imediato, com outras seis já encaminhadas para o mesmo desfecho, de acordo com o levantamento do projeto independente Data Centers on the Ballot.

As resoluções aprovadas vão de moratórias temporárias e tetos rigorosos de consumo energético a proibições absolutas de novas construções. Apenas um município em todo o país — a pequena Harwood, na Dakota do Norte — rejeitou uma exigência de audiências públicas obrigatórias antes da aprovação de megaestruturas de 100 megawatts.

O epicentro dessa insatisfação popular foi Ohio. Já saturado com mais de 250 data centers em operação, o estado levou o tema a 20 votações municipais, e o freio venceu em todas. Cidades como Urbana e Hubbard aprovaram o veto total a esses complexos com margens elásticas, ultrapassando os 76% de rejeição.

A revolta extrapolou o âmbito municipal e transformou-se em capital político imediato. O democrata Sherrod Brown conquistou uma cadeira no Senado norte-americano transformando a oposição a esses complexos no eixo central de sua campanha, apontando o adversário Jon Husted como o principal fiador da invasão industrial de servidores no estado.

Se no passado o deslumbramento com a tecnologia falava mais alto — a exemplo de quando a sonda Galileo da NASA registrou imagens históricas do espaço e simbolizou o progresso inconteste —, hoje a realidade material da infraestrutura pesa na conta de luz e no abastecimento de água. Uma pesquisa de boca de urna da NBC revelou que 56% dos cidadãos consideraram o impacto da IA e dos data centers um fator determinante na hora de escolher seus representantes.

Fonte: Engadget