
Jessica Meir, Jack Hathaway, Sophie Adenot e Andrey Fedyaev estão chegando ao fim da longa temporada em órbita Crew-12, e já começam a pensar nas coisas mais simples da vida terrestre — como sentir o vento, tomar um banho quente e reencontrar a natureza.
Uma missão que está chegando ao fim
Depois de meses vivendo a centenas de quilômetros acima da Terra, os quatro astronautas da SpaceX Crew-12 começam a se preparar emocionalmente para retornar ao planeta.
A missão levou à Estação Espacial Internacional (ISS) a astronauta da NASA Jessica Meir, o também astronauta da NASA Jack Hathaway, a astronauta da Agência Espacial Europeia (ESA) Sophie Adenot e o cosmonauta russo Andrey Fedyaev. O lançamento ocorreu em 13 de fevereiro de 2026, e a Dragon chegou à estação no dia seguinte.
Agora, em setembro, a tripulação vive os últimos momentos de sua expedição. A volta, entretanto, ainda depende da chegada da próxima equipe.
A NASA e a SpaceX passaram a mirar não antes do início de outubro para o lançamento da Crew-13, após adiamentos relacionados aos testes e às análises de dados de preparação da missão.
“Quero muito ver a natureza novamente”
Para quem acompanha histórias de exploração espacial, uma das partes mais interessantes da despedida da Crew-12 é justamente a maneira como os astronautas descrevem aquilo de que mais sentem falta.
Durante uma conversa com jornalistas realizada em 16 de setembro, Jessica Meir revelou que está ansiosa para reencontrar a natureza, sentir a brisa no rosto e ouvir o vento movimentando as folhas.
A declaração chama atenção porque mostra um lado muito humano da exploração espacial. Depois de meses contemplando a Terra pela janela da estação, elementos extremamente comuns para quem vive no planeta passam a adquirir outro significado.
Meir também destacou que sentirá falta da ausência de gravidade e das impressionantes paisagens que podem ser observadas do espaço.
O banho quente está entre as prioridades
Jack Hathaway também apresentou uma lista bastante terrestre de coisas que pretende fazer depois do pouso.
Segundo o astronauta, a vida na estação é uma experiência de expedição: existe pouca variedade de alimentos e não há água corrente como em uma casa convencional. Por isso, um longo banho quente está entre as coisas que ele mais espera aproveitar depois da missão.
O reencontro com a família também aparece naturalmente entre as prioridades.
Sophie Adenot, por sua vez, mencionou que está ansiosa para voltar a praticar esportes aquáticos. Na estação, as possibilidades de atividades físicas são bastante diferentes das encontradas na Terra.
Meses de ciência em órbita
Embora as lembranças pessoais estejam dominando os últimos dias da missão, a Crew-12 passou meses realizando trabalho científico e tarefas de manutenção na ISS.
A tripulação participou de centenas de experimentos destinados tanto a compreender melhor o comportamento do corpo humano no espaço quanto a desenvolver tecnologias úteis para futuras missões.
Entre as pesquisas realizadas estão estudos envolvendo bactérias associadas à pneumonia, produção de fluidos intravenosos sob demanda e características físicas relacionadas ao fluxo sanguíneo durante o voo espacial.
Esses experimentos fazem parte de um objetivo maior: descobrir como seres humanos poderão permanecer por períodos cada vez maiores longe da Terra.
Jessica Meir também foi para o lado de fora da estação
Um dos momentos marcantes da missão aconteceu durante atividades extraveiculares realizadas por Meir.
Em março, ela participou de uma caminhada espacial com o astronauta Chris Williams, que durou 7 horas e 2 minutos. Em junho, Meir voltou ao espaço exterior para outra atividade, dessa vez com duração de 7 horas e 20 minutos.
Em entrevista recente, Meir descreveu uma dessas experiências como um momento especialmente marcante: ela se sentiu praticamente flutuando acima da Terra enquanto era transportada pelo braço robótico Canadarm2. A volta precisa esperar pela Crew-13
Apesar da vontade de retornar, os astronautas não simplesmente deixam a estação quando sua missão termina.
A troca precisa ser cuidadosamente planejada para garantir que haja uma equipe adequada a bordo da ISS. Por isso, a Crew-12 continuará trabalhando normalmente enquanto aguarda a chegada da Crew-13.
A NASA informou que os astronautas permanecerão na estação durante um breve período de sobreposição após a chegada dos substitutos. Antes do retorno, as equipes também analisarão as condições meteorológicas nas áreas previstas para o pouso da Dragon na costa da Califórnia.
O estranho paradoxo de voltar para casa
Existe algo quase cinematográfico na situação da Crew-12.
Durante meses, a Terra foi observada de uma perspectiva que pouquíssimas pessoas tiveram a oportunidade de experimentar. Os astronautas trabalharam em um laboratório que viaja a aproximadamente 28 mil km/h ao redor do planeta, realizaram experimentos, fizeram manutenção e observaram o mundo através das janelas da ISS.
Agora, porém, o que mais desperta expectativa não é necessariamente uma grande aventura.
É sentir o vento.
É tomar um banho quente.
É brincar na água.
É abraçar a família.
É caminhar novamente sobre o chão e perceber o peso do próprio corpo.
A Crew-12 ainda precisa concluir sua missão antes de voltar, mas suas declarações já oferecem um lembrete poderoso sobre o que torna a exploração espacial tão fascinante: quanto mais longe os seres humanos conseguem viajar, mais extraordinárias parecem as coisas simples que existem aqui embaixo.
E, quando finalmente chegar o momento do retorno, esses quatro astronautas terão algo que poucos seres humanos podem dizer: eles terão deixado a Terra por meses e voltarão para casa carregando uma nova perspectiva sobre o planeta que chamam de lar.
O texto foi atualizado com informações disponíveis em 17 de setembro de 2026. A NASA confirmou que a Crew-12 segue na ISS enquanto aguarda a chegada da Crew-13, atualmente prevista para não antes do início de outubro, e que o retorno da Crew-12 ocorrerá após a troca de tripulação.







