Elias 2-24 b: o planeta recém-nascido que pode mudar o que sabemos sobre a formação dos mundos

exoplaneta Elias 2-24 b

Astrônomos confirmaram o exoplaneta mais jovem já identificado. Com menos de 1 milhão de anos, Elias 2-24 b ainda está crescendo dentro do disco de gás e poeira que deu origem ao seu sistema.

Um planeta praticamente recém-nascido

O Universo acaba de ganhar um novo recordista. Astrônomos confirmaram Elias 2-24 b, um exoplaneta localizado a aproximadamente 450 anos-luz da Terra que tem menos de 1 milhão de anos de idade. O detalhe impressionante é que o mundo ainda está em processo de formação, permanecendo dentro do disco de gás e poeira que circunda sua estrela.

An illustration of a star surrounded by a debris disk. Between the disk and an outer part of the disk, there is a small circle.
Elias 2-24 b – An illustration of a star surrounded by a debris disk. Between the disk and an outer part of the disk, there is a small circle.

A descoberta é particularmente importante porque a maioria dos exoplanetas conhecidos é muito mais antiga. Segundo a NASA, existem atualmente cerca de 6 mil exoplanetas confirmados, mas a maior parte deles já está em estágios avançados de evolução. Encontrar um planeta enquanto ele ainda está sendo construído oferece uma oportunidade rara de observar uma etapa que normalmente permanece escondida.

Elias 2-24 b tem aproximadamente a massa de Júpiter, mas sua juventude muda completamente a importância científica do objeto.

Um gigante ainda em construção

O que torna o novo exoplaneta especialmente fascinante é que ele aparentemente ainda está acumulando material.

A estrela Elias 2-24 é cercada por um disco protoplanetário rico em gás, poeira, gelo e outros fragmentos. Esses materiais são justamente os ingredientes utilizados na formação dos planetas. Dentro desse disco existe uma abertura — uma espécie de corredor — que chamou a atenção dos pesquisadores.

A hipótese era relativamente direta: se um planeta estivesse crescendo naquela região, sua gravidade poderia remover material do caminho e criar uma lacuna no disco.

Foi exatamente ali que os pesquisadores encontraram Elias 2-24 b.

O cenário oferece uma espécie de fotografia cósmica da formação planetária. Em vez de observar apenas o resultado final, os cientistas podem estudar um mundo enquanto ele ainda está sendo construído.

A descoberta estava escondida em arquivos antigos

Um dos aspectos mais curiosos da história é que Elias 2-24 b não foi encontrado simplesmente por meio de uma nova observação.

A equipe liderada por Andrea Bernardi, doutorando da Universidad Diego Portales, no Chile, voltou a analisar dados arquivados obtidos pelo W. M. Keck Observatory, no Havaí.

Os pesquisadores estudaram observações de sete estrelas cercadas por discos de material. Os dados foram coletados utilizando um coronógrafo, instrumento capaz de bloquear parte do intenso brilho de uma estrela para facilitar a identificação de objetos muito mais fracos próximos a ela.

A equipe encontrou sinais do planeta em observações feitas em 2018 e 2020. Ao comparar as imagens e analisar o movimento do objeto ao longo do tempo, os cientistas conseguiram confirmar que não se tratava simplesmente de uma estrela de fundo ou de um artefato das observações.

É um ótimo exemplo de como arquivos astronômicos podem continuar produzindo descobertas anos depois de os dados terem sido coletados.

Um desafio para as teorias atuais

A descoberta também cria um problema interessante para os astrônomos.

Os modelos de formação planetária já enfrentavam dificuldades para explicar alguns dos exoplanetas mais jovens conhecidos anteriormente. Esses objetos tinham mais de 5 milhões de anos. Elias 2-24 b, porém, pode ter menos de 1 milhão de anos, tornando o desafio ainda maior.

O professor Lucas Cieza, coautor do estudo, afirmou que os modelos atuais provavelmente ainda não contemplam completamente todos os processos envolvidos na formação de planetas gigantes.

Em outras palavras, o novo planeta pode ajudar os pesquisadores a descobrir quais peças ainda faltam no quebra-cabeça.

Uma máquina do tempo cósmica

Estudar Elias 2-24 b também permite imaginar como sistemas planetários eram bilhões de anos atrás.

A formação de uma estrela e de seus planetas ocorre dentro de enormes estruturas de gás e poeira. Com o tempo, esse material vai sendo incorporado aos planetas, expulso do sistema ou reorganizado pela gravidade.

No caso de Elias 2-24 b, os astrônomos estão observando esse processo praticamente em tempo real em escala cósmica. A situação é semelhante a encontrar um registro preservado de uma fase que o Sistema Solar atravessou há bilhões de anos.

O telescópio Roman pode mudar o jogo

A descoberta chega em um momento especialmente interessante para a astronomia. O Nancy Grace Roman Space Telescope, da NASA, foi lançado em 30 de agosto e possui um coronógrafo ainda mais avançado.

A expectativa é que o instrumento consiga localizar e estudar planetas muito mais difíceis de observar devido ao brilho de suas estrelas. Isso pode permitir a descoberta de outros mundos extremamente jovens escondidos dentro de discos protoplanetários.

Elias 2-24 b está, portanto, apenas começando a contar sua história. O planeta pode ser o primeiro de uma nova geração de descobertas capazes de revelar como gigantes gasosos realmente nascem.

O bebê gigante que pode reescrever nossa compreensão do Universo

A confirmação de Elias 2-24 b é mais do que um novo recorde. O planeta oferece aos cientistas uma rara oportunidade de estudar um mundo enquanto ele ainda está crescendo.

Com aproximadamente a massa de Júpiter, localizado a 450 anos-luz e possivelmente com menos de 1 milhão de anos, o exoplaneta representa uma das visões mais próximas que a astronomia moderna já conseguiu obter de um planeta em seus primeiros momentos.

E talvez o mais impressionante seja justamente isso: o que os telescópios encontraram não é simplesmente um planeta jovem, mas um mundo que ainda está sendo construído.

Atualização: o estudo sobre Elias 2-24 b foi publicado em 16 de setembro de 2026 no The Astrophysical Journal Letters. As informações acima foram conferidas com NASA, W. M. Keck Observatory e reportagens científicas publicadas em 16–17 de setembro de 2026.