
Observatório Swift, de mais de 20 anos volta a observar o Universo, mas sua permanência em órbita está chegando ao fim.
O Neil Gehrels Swift Observatory, um dos telescópios espaciais mais importantes da NASA para o estudo de fenômenos cósmicos explosivos, voltou a realizar observações científicas depois que uma tentativa de prolongar sua vida útil em órbita foi encerrada. A retomada representa uma espécie de última missão para o veterano observatório, que enfrenta uma queda gradual de altitude e poderá reentrar na atmosfera terrestre ainda em 2026.
A equipe responsável pelo Swift religou, em 26 de agosto, dois de seus três instrumentos científicos: o Telescópio de Raios X (XRT) e o Telescópio Ultravioleta/Óptico (UVOT). Os equipamentos haviam sido desligados em fevereiro justamente para reduzir o arrasto atmosférico e manter o observatório em órbita por mais tempo enquanto uma missão comercial tentava elevá-lo para uma altitude mais segura.
Missão de resgate não conseguiu salvar o Swift
A tentativa de resgate envolvia a espaçonave robótica LINK, desenvolvida pela empresa Katalyst Space. O veículo foi lançado em 3 de julho de 2026 com a missão inédita de alcançar o Swift, capturá-lo e utilizar seus sistemas para elevar a órbita do telescópio.
O plano, porém, começou a enfrentar dificuldades no fim de julho, quando a LINK apresentou problemas de controle de atitude. Dois dos três volantes de reação da espaçonave deixaram de funcionar, enquanto o sistema de propulsão por gás frio também sofreu perda parcial de capacidade. Embora os engenheiros tenham conseguido reduzir a rotação da LINK e recuperar parte do controle, NASA e Katalyst anunciaram em 19 de agosto que a espaçonave não tentaria mais capturar e elevar o Swift.
A LINK ainda poderá realizar operações de aproximação do Swift para testar tecnologias relacionadas à manutenção e ao atendimento de satélites em órbita. Portanto, apesar de a missão não ter alcançado seu objetivo principal, os dados obtidos poderão contribuir para futuras operações de serviço espacial.
Swift volta a observar o Universo
Com o plano de reboost abandonado, a NASA decidiu aproveitar o tempo restante do observatório. O XRT e o UVOT voltaram a funcionar e já produziram novas observações. Entre os primeiros registros está uma imagem em raios X do remanescente da supernova de Tycho, localizado a cerca de 13 mil anos-luz da Terra, na constelação de Cassiopeia.
O terceiro instrumento do observatório, o Burst Alert Telescope (BAT), permanece desligado por enquanto. O equipamento foi desativado em abril para economizar energia e permitir uma configuração dos painéis solares que ajudasse a diminuir o arrasto atmosférico. A equipe espera conseguir colocá-lo novamente em operação nas próximas semanas.
Um telescópio que superou todas as expectativas
Lançado em 2004, o Swift foi originalmente projetado para uma missão principal de apenas dois anos. No entanto, o observatório continuou trabalhando por mais de duas décadas e se tornou uma ferramenta essencial para estudar explosões de raios gama, supernovas e outros fenômenos transitórios.
Uma das principais características do Swift é sua capacidade de detectar eventos extremamente rápidos e direcionar seus instrumentos para eles em pouco tempo. O observatório também envia alertas para outros telescópios espaciais e terrestres, permitindo que diferentes equipes científicas acompanhem os mesmos acontecimentos cósmicos.
O problema está na órbita
A situação atual do Swift é consequência do envelhecimento do observatório combinado com mudanças na atividade solar. Como o telescópio está em órbita baixa e não possui um sistema de propulsão capaz de compensar continuamente o arrasto atmosférico, sua altitude diminui gradualmente.
A atividade solar recente aqueceu e expandiu a atmosfera superior da Terra, aumentando a resistência encontrada pelo observatório. Com isso, sua órbita passou a decair mais rapidamente do que o esperado.
A NASA estima que o Swift chegará a uma altitude de aproximadamente 300 quilômetros nos próximos um ou dois meses. Abaixo desse nível, a operação científica se torna cada vez mais complicada e a velocidade de descida aumenta significativamente. Sem uma intervenção capaz de elevar sua órbita, o observatório deverá reentrar na atmosfera terrestre ainda este ano.
Últimos meses de uma missão histórica
Embora a tentativa de resgate tenha fracassado, a decisão de religar os instrumentos científicos permite que o Swift continue contribuindo para a astronomia enquanto ainda estiver em condições de operar.
O observatório agora trabalha contra o relógio. Cada nova observação poderá representar uma das últimas contribuições de uma missão que originalmente deveria durar apenas dois anos, mas permaneceu ativa por mais de 21 anos.
Para a NASA, o encerramento inevitável do Swift também deixa uma importante lição sobre o futuro da exploração espacial: à medida que mais satélites científicos envelhecem em órbita, tecnologias capazes de realizar manutenção, reabastecimento e reposicionamento robótico poderão se tornar cada vez mais importantes.
Por enquanto, o veterano telescópio continua olhando para o Universo. Sua queda pode ser inevitável, mas os cientistas ainda pretendem aproveitar ao máximo o tempo restante para transformar seus últimos meses em novas descobertas.







